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domingo, 22 de agosto de 2010

beethoven [2]

não há temas na história da música erudita ocidental mais mal compreendidos do que o que se convencionou chamar de forma sonata e sistema tonal. a respeito e a despeito dessas compreensões vulgares, lanço apenas algumas pontuações, pontiagudizações, a bem dizer:

 

basta ouvir o último movimento do trio op. 97 de beethoven, os vários compassos em que um grande acorde de sétima sobre a tonalidade principal (Bb – Bb7, portanto) funciona como a mesma geração de tensão do que o acorde ríspido, gritado, que abre o movimento, que adia a apresentação efetiva da resolução (definição da tonalidade principal). além desse caráter de adiamento, o de elisão: elisão como princípio de dissolução que transforma a mesma insistência no acorde de Bb7 em uma impossibilidade de se definir se se trata de uma simples retransição, ou de uma interrupção abrupta no desenvolvimento, tão ríspida quanto o Bb7 do início do Allegro Moderato… eis porque os analistas entendem a forma do pior modo possível, como mera fôrma (reformas ortográficas, fica pra próxima, beijos.) na qual se incrustam “áreas tonais” (nada mais falacioso que um conceito aparentemente flexível…). o jogo e o drama, tensões, arsis e thesis, tudo isso é mais fundamental do que esses artifícios técnicos retrospectivos.

 

e aos teóricos nem se pode desculpar a ingenuidade. mas talvez neles se possa desculpar criticamente a falta de ingenuidade.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

impressões ultrapessoais a partir do “adagio em si menor” de mozart

à beira do romantismo, ou, em termos musicais, na coda do meu classicismo, será possível a picardia após todas as modulações?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

comentário acerca dos românticos e do isolamento

tenho sido nos últimos 15 dias um completo incompetente social, esta modalidade por um lado difícil e por outro cômoda de me envolver com as pessoas. com isso quero dizer que me é impossível negar como, antes de sociável, ser já sociado e, principalmente, anti-romântico. no fundo, descubro que o romantismo foi mal interpretado pela modernidade e mais mal interpretado ainda pela pós-modernidade, essa qualquer-coisa-aí nefasta e boçal. o romantismo, em música, é mais simples de ser entendido e conceituado do que em literatura ou qualquer outra arte ou política. basta olhar a amplitude dos arcos (e não a supremacia de um destes elementos, da amplitude, como nos modernos, ou dos arcos, como nos estruturalistas).

sábado, 7 de junho de 2008

após uma aula de piano com luiz medalha, audições de schumann, berg e bach e leituras de heidegger e monteiro lobato

as vozes intermediárias!!, cante as vozes intermediárias! o canto não é o velamento: o canto é a voz da iara que submerge a razão fraca. apenas a razão fraca. mas não esquecer dos baixos e sopranos, não te esqueças dos harmônicos que convocam as vozes intermediárias.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

o acorde de tristão

é uma rugosidade que surge da estática e da indecisão(, por isso da estática). ele não vai e não não vai. onde ele está?, me pergunta, me pergunto, e seu lugar não é um lugar, mas uma atmosfera. não é nuvem. é expectativa? não. é um lugar que é pura atmosfera sem ar. é a respiração presa. será solta? talvez nietzsche não tenha perdoado em wagner a preferência pela rugosidade, mesmo a do ascetismo. o que não impediu o filósofo de reconhecer em wagner uma das questões mais importantes de seu tempo. teria nietzsche entrevisto ou previsto a rugosidade e a recalcado? resposta: preferiu bizet ao romantismo. resposta sem resposta, eu sei. rugosa. estática. de repente, adivinha-se num sentido. muito bem determinado, mas imprevisível.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

dos futuros amores.

um cluster de nonas piace me veramente.